Introdução à filosofia de Spinoza, livro de Amauri Ferreira.
Sinopse:
Como é impossível que o homem não seja uma parte da natureza, não haveria, num primeiro momento, qualquer possibilidade de ele ter uma vida livre. Como há, apenas em certo sentido, uma oposição entre os indivíduos (já que um indivíduo pode decompor outro), restaria ao homem encontrar a sua liberdade em outro mundo, transcendente. Impotente para regular e refrear as paixões, restaria ao homem negar o testemunho dos sentidos do seu corpo e crer na imortalidade da sua alma. Como combate a todo modo de viver que nega o corpo – e as paixões –, Spinoza nos diz que a liberdade não está em outro mundo, mas neste mundo mesmo. Viver de modo livre consiste, basicamente, na efetuação da capacidade que a nossa mente possui para regular e refrear as paixões. A potência do intelecto corresponde à liberdade humana. Conhecimento e liberdade. Como é possível perceber, o remédio para as paixões não está, portanto, na crença em um mundo transcendente ou em algum salvador, mas sim na potência que a nossa mente tem para compreender, para formar as noções comuns. Como há uma capacidade real da nossa mente para conhecer e ordenar as afecções do corpo, ao efetuarmos isso, ficamos alegres com a nossa própria potência.
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Saiu a notícia que o Ministério da Agricultura lançou uma cartilha informando a população sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos, bem como sobre a questão dos produtos transgênicos que "colocam em risco a diversidade de variedades que existem na natureza". Porém essas cartilhas não serão distribuídas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição. A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possível encontrá-la no site:
Na III Mostra Regional de práticas em psicologia em 2009 foi possível ouvir um belo discurso do filósofo da Universidade Nômade Luiz Fuganti. Na palestra Fuganti discursou sobre o tema do professor e consequentemente da escola. Ele comparou a escola com outros mecanismos sociais normatizantes, e afirmou que estas instâncias são formas de “roubar” diversas experiências do ser humano, ao tentar “adestrá-lo”. Para ele “a experiência do pensamento é roubada pela palavra. A experiência do corpo é roubada pela subjetivação. A do desejo é roubada pela moral, pela condenação. A experiência do tempo é roubada pelo foco em uma memória e um futuro, mas não no acontecimento, no presente. E a experiência de aprendizado é roubada porque se inventa uma atenção que, na verdade, produz desatenção” (Luiz Fuganti, 2009). Uma fala audaciosa e verdadeira. Quando conseguiremos fazer nosso dever de casa? Para Fuganti é incrível perceber como descuidamos de nós mesmos; pois se há um problema também é porque houve algum valor instituído com a nossa permissão. E ainda assim, a vida não pode ser vista num processo binário, mesmo que possa haver maus encontros. Os maus encontros deixam a vida impotente, e é neste momento que deve se criar um problema, pois para o filósofo existe uma arte de criar problemas e gerar saídas interessantes. Algo muito diferente do que dar respostas ou encontrar respostas. Para Fugante na medida em que damos respostas, nos tornamos escravos.
O que se faz com um mau encontro? Somos radicalmente diferentes uns dos outros; porém para ele algo em nós vai desistindo e alguma outra coisa em nós vai se fortalecendo... Como fazer a lição de casa? O que é fazer escolhas? Para o filósofo a lição de casa é comparada à lição de nossa vida e para que saibamos se estamos ou não fazendo a lição de casa é saber se conseguimos ouvir o que nos acontece. Para Luiz Fuganti é importante se fazer o dever de casa, que seria ouvir o que é acontecimento – algo que está fora da memória de passado e da memória de futuro. O acontecimento é presente e é intensidade, o aprendizado seria um aprender a recortar no campo da experiência. Para Fuganti aprender é ainda mais, é conquistar força. A moral do fraco para Fuganti é deformar o outro para poder se comparar, esta é para ele a nova forma de adestramento que opera a desqualificação do indivíduo (professor, aluno etc.). Desqualificar o outro, o profissional, o aluno seria um mecanismo para que se possa controlar este ouro, isto é o adestramento. E se não der certo, medicalização.
Fuganti concorda com o filósofo Michel Foucault quando diz que o poder inventa faltas, ou buracos, ou vazios, ou algo considerado ruim e errado (por quem?), para depois trazer a “solução” algo que preencha, ou que prometa preenchimento. Todas as soluções "inventadas" pelo sistema decorreria de falsos problemas. Para Fuganti quando não se faz o dever de casa, quando não se ouve o acontecimento, o presente e nossa própria experiência nos perdemos com falsos problemas e nos acomodamos com as falasas respostas.
A comemoração do solstício de inverno no hemisfério norte é chamado de Yule (pronuncia-se “iúle”), se refere as comemorações natalinas. Estas comemorações têm as raízes nas tradições pagãs de saudação ritualística ao sol e aos deuses que o representavam. Provavelmente a palavra Yule é escandinava e vem da palavra “iul”, que significa “roda”. Sua data não é fixa, pois depende das correspondências astrológicas e climáticas de cada ano. No hemisfério sul, o solstício de inverno ocorre por volta de 21 de junho, e no hemisfério norte por volta de 21 de dezembro.
O solstício de inverno está relacionado com a noite mais longa do ano. O inverno não ocorre ao mesmo tempo no hemisfério norte e no hemisfério sul, portanto o solstício de inverno no hemisfério sul é considerado solstício de verão no hemisfério norte e vice-versa. No calendário chinês, o solstício de inverno chama-se dong zhi (chegada do Inverno) e é considerado uma data de importância extrema, visto ser aí festejada a passagem de ano. A partir deste dia em que se comemora e ritualiza o solstício, o Sol volta cada vez mais forte. No Peru, em Machu Picchu a pedra denominada Intihuatana marca um ponto de solstício. Esta palavra significa o ponto de amarrar o Sol para que ele não se afaste mais. Este período de solstício de inverno marcava as comemorações da Saturnália, em homenagem ao deus Saturno. O deus persa Mitra, também cultuado por muitos romanos, teria nascido durante o solstício. Divindades ligadas ao Sol em geral eram celebradas no solstício. Para as tradições pagães este dia marca a morte e o renascimento do Deus-Sol; marca também a derrota do Rei Azevinho, Deus do Ano Minguante, pelo Rei Carvalho, Deus do Ano Crescente. A Deusa, que era morte-em-vida no solstício de verão, exibe agora o seu aspecto de vida-em-morte, pois ela é a Rainha da Escuridão neste sabbat. Ela também é a mãe que dá à luz a criança da promessa, que irá fertilizá-la mais tarde e trazer de volta luz e calor ao seu reino.
No Brasil as festas juninas representam as comemorações pagães do deus sol, que no hemisfério norte tomaram o formato das comemorações “natalinas”. As festas juninas tem todos os elementos das comemorações pagães do solstício, tem fogueira, alegria, danças e comidas quentes típicas. Esta noite, a mais longa noite do ano, é uma forma ritualística de chamar e encarnar o sol novamente. Por isso nesta noite produz se muito calor nos festejos. Com estes rituais o deus sol "se sentiria" "motivado" a voltar para a terra. O deus o sol de volta significa o retorno da vida, pois a morte e a noite foram vencidas. Do sol é possível florescer a vida e a diversidade. Nas festas juninas brasileiras temos ainda uma oportunidade impar, celebrar o solstício ao som das músicas de Luiz Gonzaga, um gênio da música brasileira.
Anna Hillman, ambientalista e fotógrafa, nos lembra que o encantamento da vida está na observaçãoatenta a tudo... Anna registraemsuacâmera o quechama de “imagens de Guerrilha”. Imagensque provocam o mundopelasutileza, beleza e “silêncio” que produzem quando ao olharmos sentimos nossaalmacalar de encanto. Armada de umgiz a nossaqueridaguerrilheirarisca o chão da rua, interfere no espaçourbano, escreve bilhetes aos cidadãosdesatentos e fotografa. Elavê e fotografa o queteimaemcrescer, emventar, emaparecer e emdesaparecerdiante de nossosolhos. Descobertasque muitas vezes estão nas esquinas das cidades, noscantos das ruas e bem de baixo do nossonariz, no cotidiano de nossavida.
Coisas que todos podem fazer a sua própria moda no cotidiano... O cotidiano pode ser uma benção ou um martírio. Uma forma de viver ou uma forma de morrer e perder-se de si e da vida.Elisa Lucinda, artista e poeta, fala de seu fascínio pelo cotidiano e pela rotina. Segundo ela é na rotina que encontra sua fonte eterna de novidade. Elisa cuida da rotina como se fosse um brinquedo, ela vê em cada cena do cotidiano um retrato, uma figurinha para preencher seu álbum da vida – cada cena é uma carta. Lucinda pensa que as coisas sérias da vida são nossos brinquedos de gente grande. Para ela, brincar é um ensaio e um exercício de possibilidades. Desta forma, a rotina pode exercer um enorme fascínio, pois para quem sabe ver poesia na rotina, esta é sempre inédita.
No cotidiano moram as novidades que, embora não sejam tão vistosas, nem por isso são menos novidades ou fascinantes. As sutis novidades vêm de tantos campos, um olhar, um brilho de luz, uma sombra, um encontro, um desencontro, nossa emoção que segundo ela pode nos oferecer sentimentos que “apertam o peito e coçam a razão”. Para Elisa Lucinda a vida é uma obra aberta e nós somos os sujeitos da história e os verdadeiros autores de nossa rotina. Afirma: “Terei feito da minha vida o que fiz da minha rotina”, pois na rotina podemos tirar a roupa do óbvio, por os olhos na dramaturgia que há de baixo das coisas, cuja rota obedece meu desejo.
Os sonhos de realização de cada pessoa só se tornam possível no cotidiano, e este cotidiano pode ser comparado a um álbum figurinhas. Quem não tem experiências tornadas em poesia não tem figurinha nenhuma para oferecer, e por isso brinca menos. Quem não registra as cenas inéditas do seu cotidiano em formas de poesia deixa de exercer o papel de protagonista consciente. Deixa de fazer o exercício de se construir e criar diariamente, por isso pode deixar de viver em estado de poesia e assim pode acabar por se esquecer qual é o lugar de sua humanidade. Lucinda diz que podemos criar as cenas dentro dos nossos desejos, pois estes também se fazem necessários para o jogo do outro, para o álbum-caderno do outro.
Lucinda nos oferece as pérolas de uma arte singular, a arte do cotidiano. Será que existe ação mais reacionária e iconoclasta do que ser artista do seu próprio cotidiano? Obviamente que as lutas sociais por democracia, por diálogos com todos, por construir novas realidades sociais devem estar atrelados à construção poética do seu cotidiano. Construir a si mesmo em poesia é o que de mais subversivo pode existir; fazer do riso uma arma é sair do lugar das batalhas sangrentas pelo poder e achar um novo poder, o poder de se reinventa a partir do simples, do cotidiano e da poesia. As faltas também participam da cena dramática, também são poesias que nos constroem e nos fazem refletir. Elisa Lucinda faz dos seus talentos de apreciar o cotidiano e produzir poesia uma obra-de-arte-de-si e, desta forma, produz obras de arte para o mundo.
Estas duas mulheres produzem, comseusolhares de poeta e suasações cotidianas, uma guerrilhas no própriodestino e “coçam o mundo” comsuasfigurinhasvitais. Elasnos oferecem as imagensprodutoras de uma artesingular. Os “espetáculos” ditadospelosholofotes midiáticos não necessariamente passam pelocoração das pessoasoupor uma apreciação do cotidiano. Creio que podemos dizerque Anna e Elisa se tornam referênciapara o mundocontemporâneo, porsuasações. Elas conseguem extrair vitalidade do seucotidiano e produzir "consciência" pessoal e social com as diversas imagens que o mundo oferece e que elas retornam para o mundo em forma de ações, arte e poesia.